D.W.
Hollomon
Departamento de Ciências Agrícolas, University of Bristol,
IACR Long Ashton Research Station, Long Ashton, Bristol, BS 41 9AF,
UK
INTRODUÇÃO
Os
fungicidas são importantes ferramentas para o controle das principais
doenças das plantas em sistemas intensivos de produção
de culturas, e assim continuarão por muito tempo. Devido ao volume
de investimentos públicos e privados em pesquisas para lançar
novos fungicidas no mercado e à sua função principal
de assegurar a produção rentável de culturas de
alimentos e fibras, é preocupante que sua performance possa declinar
em decorrência do desenvolvimento de resistência nos fungos
alvo. Embora a resistência resulte da seleção de
mutações raras em populações de patógenos,
é possível gerenciar a resistência de forma efetiva,
contando com conhecimento suficiente sobre os mecanismos de resistência,
bons procedimentos de monitoramento e acesso a produtos com diferentes
modos de ação. Na verdade, até hoje nenhum grupo
de fungicida foi perdido unicamente devido à resistência.
Entretanto, a estimativa do risco de resistência a novos compostos
durante seu desenvolvimento é um conceito difícil, e sem
dúvida ainda não constitui uma ciência exata.
A
estimativa de risco foi recentemente avaliada em mais detalhes por Brent
& Hollomon (1998). Deve ser um programa contínuo iniciado
na fase inicial do desenvolvimento de um novo produto e continuar durante
o uso comercial. Mas os novos fungicidas somente são introduzidos
após extensivos ensaios de campo terem determinado sua eficácia
e, portanto, pode-se presumir que as populações alvo iniciais
são sensíveis. Caso a seleção intensiva
gere resistência, diversos fatores chave terão influência
na determinação dessa possibilidade.
·
A resistência é genética e bioquimicamente possível?
· A freqüência de indivíduos resistentes pode
aumentar?
· Há ferramentas adequadas para monitorar a resistência?
MECANISMOS
GENÉTICOS E BIOQUÍMICOS DA RESISTÊNCIA
A
resistência é transmitida geneticamente e resulta de uma
ou mais mutações no fungo alvo. Quando a resistência
se torna um problema prático, as mutações geralmente
provocam uma alteração no sítio alvo bioquímico,
fazendo com que a ligação do fungicida seja menos efetiva,
ou até que não ocorra. Essas mutações gênicas
principais resultam em altos níveis de resistência e, embora
a grande maioria esteja associada a alguma dificuldade de adaptação,
ou mesmo letalidade, nem sempre isso acontece. As mutações
podem ocorrer em genes nucleares ou, como no caso dos fungicidas estrobilurinas
recentemente introduzidos, em genes codificados mitocondrialmente. Quando
está envolvida resistência de gene principal, a recombinação
genética entre os parentais resistentes e os não mutantes
gera duas classes distintas de progênie (Figura 1), e nenhuma
progênie com sensibilidade intermediária. A seleção
para resistência de gene principal geralmente resulta em um rápido
declínio da eficiência.
A
resistência em muitos patógenos é bioquimicamente
possível, embora em diversos casos somente seja estudada em mutantes
resistentes gerados em laboratório. A natureza exata das alterações
dos amino ácidos nas proteínas alvo que causam resistência
somente é conhecida no caso dos fungicidas benzimidazóis,
DMI e estrobilurina ( Davidse & Ishii, 1995; Delye et al., 1998;
Koeller, 1999; Gisi et al., 2000; Sierotski et al., 2000). Foram reportados
altos níveis de resistência a estrobilurina e fungicidas
similares (QOIs - anteriormente grupo STAR) em diversos fungos (Tabela
1), e a análise da seqüência pelo menos de fragmentos
parciais do gene alvo citocromo bc-1 codificado mitocondrialmente, sugere
que a resistência está ligada a uma mutação
de ponto (G143A). Nesse caso, a glicina é substituída
por uma alanina levemente maior na região da proteína
envolvida na ligação dos fungicidas QOI, e próxima
ao centro Qo. Não está claro como isso afeta a conformação
do citocromo alvo, ou mesmo da proteína ferro-enxofre adjacente.
Até o momento também não há qualquer evidência
bioquímica que confirme que essa mutação G143A
altere a ligação do fungicida. Diferenças sutis
entre estrobilurinas e oxazoleidinedione, famoxate, podem afetar os
padrões de resistência cruzada entre os fungicidas QOI,
mas pelo menos alguns desses fungos resistentes parecem tão adaptados
como os não mutantes e presume-se que o transporte de elétrons
através do centro Qo não seja afetado (Sierotski et al.,
2000).
Outros
mecanismos, além de alterações no local alvo, podem
provocar resistência. A desintoxicação metabólica
de fungicidas raramente é encontrada, talvez porque os fungos
não possuem mecanismos de excreção e enzimas necessárias
para gerar metabólitos polares que possam ser expelidos por vias
aquosas. Mas como os outros organismos, os fungos possuem um sistema
de proteínas que transpõe a membrana e que está
envolvido tanto na absorção de nutrientes como no efluxo
de moléculas indesejáveis. O efluxo requer energia, especialmente
quando os fungicidas solúveis em lipídios são expelidos
por uma membrana de lipídio e contra um gradiente de concentração.
O aumento de efluxo de fenarimol de mutantes resistentes Aspergillius
nidulans foi revertido pelo desacoplador da fosforilação
oxidativa CCCP, e os mutantes se tornaram sensíveis (DeWaard
& van Nistelroy, 1979). Esses mecanismos de efluxo não são
seletivos e podem gerar resistência cruzada a fungicidas com diferentes
modos de ação. Na medicina esse mecanismo é conhecido
como Resistência a Múltiplas Drogas (MDR) e é responsável
pelo fracasso de uma ampla gama de antibióticos e agentes anti-fúngicos.
Mas não está claro em que extensão esse mecanismo
de efluxo contribui para a resistência a fungicidas na prática.
É a causa da resistência a DMIs em algumas raças
de C. albicans, em que alterações no local alvo não
são tão importantes mas, ao contrário, transportam
proteínas que expelem diferentes compostos em maior quantidade
após o tratamento com fungicida (Bauer et al., 1999; Cowen et
al., 2000). Entretanto, o aumento da expressão dos transportadores
não foi relacionado conclusivamente à resistência
a fungicidas na prática, embora esses mecanismos possam contribuir
para baixos níveis subjacentes de resistência. Na verdade,
em nenhum dos casos em que os fungicidas fracassaram contra patógenos
de plantas devido a resistência, a resistência cruzada estendeu-se
além dos compostos com o mesmo modo de ação.
A produção excessiva da proteína alvo é
um outro possível mecanismo de resistência. Embora nem
sempre provoque resistência na prática, em raças
de Penicillium digitatum resistentes a DMI no campo, a expressão
constitutiva da proteína alvo esterol 14a demetilase foi cerca
de 100 vezes maior que nas raças não mutantes sensíveis,
o que foi relacionado a uma alteração na região
promotora do gene, que pela produção do RNA mensageiro
relacionado, determina a quantidade de proteína alvo produzida
(Hamamoto et al., 2000). Um outro mecanismo que pode causar resistência
em mutantes de laboratório envolve um caminho metabólico
alterado que evita o local alvo porém, também nesse caso,
não está comprovado que seja responsável pela resistência
em populações de patógenos de plantas.
Apesar
de não causar resistência na prática, os efeitos
dos diversos genes envolvidos podem ser aditivos e juntos podem resultar
em alterações perceptíveis da sensibilidade e amplificar
o efeito de uma alteração no local alvo. A recombinação
permite a reclassificação dos diversos fatores envolvidos
e geralmente resulta em progênie com sensibilidade intermediária
à dos parentais (Figura 1). Quando a resistência é
controlada por diversos genes, a seleção estabilizadora
coloca a sensibilidade da população em torno de uma média,
não necessariamente refletindo o nível mais alto de resistência.
Inicialmente, a seleção gera uma ampla gama de sensibilidade,
mas subseqüentemente os extremos da distribuição
da população são perdidos. No momento, os bioensaios
são a única forma prática de monitorar essas alterações,
e embora a resistência cruzada subjacente reflita um único
mecanismo de resistência e siga os modos de ação,
os fatores de resistência dos diferentes análogos podem
diferir substancialmente. Conseqüentemente, a resistência
múltipla, que envolve mais de um mecanismo de resistência
e geralmente fungicidas de diferentes grupos de modo de ação,
também pode ocorrer entre fungicidas que agem da mesma forma
sendo que os diversos mecanismos contribuem para a resistência.
Alterações múltiplas que provocam resistência
estabelecem-se mais gradualmente e freqüentemente podem ser revertidas
quando a seleção é suprimida. Por exemplo, a resistência
a triadimenol rapidamente se tornou um problema prático para
o controle de mancha foliar em cevada, causado por Rhynchosporium secalis,
mas os fatores de resistência para outros DMIs foram mais baixos
e inicialmente esses DMIs continuaram muito eficientes (Kendall et al.,
1993). Porém, gradativamente, a resistência a esses DMIs
difundiu-se para as populações de patógenos e sua
eficácia também declinou.
É
possível que alguns alvos bioquímicos apresentem baixo
risco de resistência. Há fungicidas cujos mutantes resistentes
podem ser gerados em laboratório, ou mesmo encontrados em populações
de campo, mas sua freqüência é baixa. O novo fungicida
quinoxyfen interfere de alguma forma com a sinalização
da proteína G que controla as etapas iniciais da infecção
de oídio (Wheeler et al., 2000). Os componentes desse percurso
de sinalização geralmente são multifuncionais,
e as mutações podem ter diversos efeitos pleiotrópicos.
As raças resistentes a quinoxyfen podem ser geradas em populações
de oídio (E. graminis f.sp. hordei) em laboratório e podem
ser isoladas no campo, mas não foi detectado aumento na freqüência
dessas raças resistentes em resposta à seleção,
apesar de extensivo monitoramento da sensibilidade.
Parece,
também, que a organização genômica tem um
impacto sobre o risco quando a resistência é controlada
por um gene principal. As mutações de ponto, seja em fungos
haplóides ou poliplóides, em que talvez todos os núcleos
são iguais, apresentam risco de moderado a alto (Figure 2). Mas
em dicariontes, onde os dois núcleos são de parentais
diferentes, o risco é baixo, conseqüentemente, a resistência
ao fungicida tem sido um problema apenas raramente encontrado em ferrugens,
apesar do uso intensivo especialmente de DMIs, e mais recentemente QOIs,
para controlá-las. Algumas mutações nos genes mitocondriais
alvo também geram resistência facilmente, talvez por não
ter a mitocôndria nenhum mecanismo de recuperação
do DNA, ou o tamanho menor do genoma assegurar que as mutações
afetam a função da proteína mais rapidamente que
nos genes nucleares.
Apesar
de um único sítio de ação, as dificuldades
que cercam a produção em laboratório de mutantes
resistentes de patógenos de plantas resultou em uma estimativa
preliminar de risco moderado para os fungicidas estrobilurina. O surgimento
de resistência prática significativa em oídio (Chin
et al., 2001) e míldio (Ishii et al., 1999) em algumas partes
do mundo nos dois primeiros anos de uso extensivo resultou na revisão
do risco de resistência desses patógenos a estrobilurinas
de moderado para alto. Fatores inerentes associados a doenças
também influenciam o risco de resistência (Figura 3 ).
Patógenos que têm gerações de períodos
curtos e esporulação extensiva podem provocar epidemias
explosivas, exigindo aplicações freqüentes de fungicidas
e, conseqüentemente, maior risco de resistência que os patógenos
que têm apenas uma geração por ano (como os carvões).
O tratamento de epidemias isoladas em estufas ou túneis plásticos
aumenta o risco de resistência, pois a diluição
por indivíduos não mutantes sensíveis é
mantida ao mínimo. As respostas aos fungicidas pelos diferentes
patógenos, nas diferentes partes do mundo, podem modificar as
estimativas de risco.
A FREQÜÊNCIA DE INDIVÍDUOS RESISTENTES PODE AUMENTAR?
Quando
um novo fungicida é desenvolvido, os indivíduos resistentes
devem ser raros, caso contrário a eficiência não
seria suficiente para a obtenção do registro. Como as
populações de doença são extremamente grandes,
ocorrerão todas as mutações resistentes possíveis.
Muitas serão letais, mas algumas sobreviverão e aumentarão
em freqüência pela seleção darwiniana com a
aplicação dos tratamentos. Caso a adaptabilidade relativa
dessas mutações não melhore, sua freqüência
novamente declinará quando a seleção ceder, e a
competição com indivíduos não mutantes será
restabelecida. Raramente isso ocorre quando a resistência se tornou
um problema prático, e a população não mutante
original pode precisar de anos para se restabelecer.
A resistência gerada no laboratório não é
restringida por limitações de adaptabilidade, podendo-se
obter mutantes resistentes que jamais são isolados das populações
de campo. As mutações de ponto em 10 locais diferentes
no gene ß-tubulina confere resistência aos fungicidas benzimidazóis,
mas apenas dois deles são comumente encontrados na prática,
e somente envolvem algumas das possíveis alterações
do amino ácido (Hollomon et al., 1997). Diversas mutações
são associadas a dificuldades funcionais, embora seja difícil
prever quais mutações serão bem sucedidas e provocarão
resistência prática. O conhecimento dos valores ED50, ou
de qualquer outra medida da sensibilidade do fungicida, não é
suficiente para prever a evolução da resistência
com os diferentes tratamentos (O'Hara et al., 2000). A adaptabilidade
bioquímica deve ser combinada com a adaptabilidade patogênica
antes que a resistência possa se tornar um problema, mas a experiência
sugere que pode ocorrer de forma surpreendentemente rápida dependendo
da biologia dos organismos envolvidos.
HÁ FERRAMENTAS ADEQUADAS PARA MONITORAR A RESISTÊNCIA?
Dada
a natureza conservada de muitos alvos de fungicidas, talvez não
seja surpreendente que a mesma mutação provoque resistência
em diferentes patógenos. Uma conseqüência de alterações
conservadas no sítio alvo é que a resistência cruzada
abrange todos os fungicidas que têm o mesmo modo de ação,
sendo o teste da resistência cruzada para compostos existentes
uma importante etapa inicial na estimativa de risco. A natureza conservada
de alterações no sítio alvo também significa
que após a resistência ter sido identificada, talvez por
meio de um programa de rastreamento de mutação utilizando
um sistema de diagnóstico moderno baseado em PCR, as mutações
de ponto podem ser pesquisadas em populações de campo
de outros patógenos e detectadas em freqüências muito
menores que aquelas facilmente atingidas em bioensaios.
Em
conjunto com o próbite e outros métodos para análise
de dados, o bioensaio há muito é a base para a monitoramento
da resistência. Sua principal vantagem é que mede a resistência
independente dos mecanismos que com ela contribuem. Os bioensaios são
facilmente adaptáveis e podem ser aplicados à maior parte
dos sistemas, desde que a resposta medida seja relevante para a ação
do fungicida. Os efeitos sobre a germinação dos esporos
são uma forma rápida de monitorar a sensibilidade do fungicida,
mas podem ser equivocados quando o fungicida não tem efeito sobre
a germinação, mas atua em um estágio posterior
do desenvolvimento. Os componentes do meio usado no bioensaio não
devem afetar o resultado. Os fungicidas anilinopirimidina interferem
de alguma forma na biossíntese de alguns amino ácidos
(Masner et al., 1994; Fritz et al., 1997) e sua inclusão em qualquer
meio de bioensaio resulta na diminuição da sensibilidade
do fungo de até 50 vezes (Pseudocercosporella herpotrichoides
= Tapesia yallundae, Babij et al., 2001).
As
principais desvantagens dos bioensaios referem-se ao elevado consumo
de recurso e ao fato de não identificarem o genótipo (alelo)
que provoca a resistência. Quando há vários mecanismos
que contribuem com a resistência, são necessárias
diversas doses para obter informação suficiente para gerar
relações significativas dose/resposta e valores ED50,
ED95, ou outras medidas de sensibilidade. Quando o nível de resistência
é elevado, apenas uma dose de diferenciação pode
ser suficiente, mas o mecanismo envolvido não será necessariamente
identificado. Todavia, o bioensaio é a única solução
prática quando os mecanismos não são conhecidos.
Mas
quando os mecanismos são conhecidos, os métodos bioquímicos
e aqueles baseados no DNA superam as desvantagens do bioensaio. Infelizmente,
tentativas de desenvolver ensaios enzimáticos e imunológicos
ainda não foram bem sucedidas. Ao contrário, a ênfase
tem recaído sobre as técnicas de PCR disponíveis
para identificar mutações de ponto relacionadas à
resistência. Os ensaios são facilmente automatizados, permitindo
que centenas de amostras sejam testadas diariamente, mas por enquanto
constituem ferramentas de pesquisa e não estão disponíveis
comercialmente.
Quando uma mutação de resistência gera um novo sítio
de restrição, a digestão de um produto de PCR com
essa enzima de restrição identifica a resistência
(Sierotski et al., 2000). Mas talvez o método PCR mais simples
é o que utiliza primers específicos (Oligonucleotídeos
Alelo-Específicos, ASO) que somente geram um produto de PCR quando
há uma combinação perfeita com a seqüência
alvo. A Figura 4 mostra um exemplo da detecção da mutação
Y136F no gene esterol 14a demetilase (CYP51) em oídio da cevada,
que está ligado a determinados níveis de resistência
a DMI (Delye et al., 1998). Desenhando-se dois primers com o par de
bases não pareados na extremidade 3' e usando um primer comum
em sentido oposto, os alelos resistentes e sensíveis podem ser
identificados usando-se apenas um pedaço de 2 cm de folha infectada
como amostra. Essa folha pode ser mantida congelada antes do uso. No
experimento mostrado na Figura 4, um par de primers não-específico
foi incluído, o qual amplifica um fragmento de PCR maior, e é
usado como controle para confirmar que a reação PCR realmente
funcionou corretamente (Fraaije et al., 2000). Usando-se somente o par
de primers ASO, a amplificação é restrita a um
único produto de PCR característico da resistência.
Marcadores de cianina, como PicoGreen e o termoestável SYBR1
Green, que apenas produzem fluorescência quando ligado ao DNA
dupla-fita, permitem medições diretas de fluorescência
da reação PCR para identificar rapidamente um resultado
positivo, evitando maior manipulação envolvendo eletroforese
em gel. Esses métodos baseados em PCR não são facilmente
quantificáveis, mas recentes desenvolvimentos em PCR em Tempo
Real, e técnicas de hibridização específica
com sondas Taqman® ou "molecular beacons" (Tapp et al.,
2000), permitem a medição precisa da freqüência
de mutações resistentes e de alterações
resultantes da seleção (Figura 5). Os diferentes fluoróforos
incorporados a cada sonda ou beacon, oferecem o potencial de monitorar
mais que uma mutação em uma única reação
PCR. Essas técnicas são extremamente específicas
e oferecem informações sobre as freqüências
de alelos que podem ser diretamente incorporadas em modelos genéticos
de população oferecendo prognósticos de diferentes
estratégias de tratamento. Entretanto, são necessárias
precauções para interpretar esses dados. As raças
que mostram-se resistentes no bioensaio, mas que têm uma mutação
diferente daquela incluída no primer/sonda, ou que têm
um mecanismo de resistência totalmente diferente, serão
identificadas como sensíveis.
Uma
dificuldade apresentada por todos os métodos de monitoramento
é o protocolo de amostragem necessário para a obtenção
de valores precisos para o nível de resistência em qualquer
população. O tamanho da amostra também é
importante, mas depende em grande parte do objetivo do exercício
de monitoramento. A freqüência inicial de resistência
é um dos diversos parâmetros chave para prever como a resistência
pode distribuir-se em uma população. A Figura 6 mostra
que a identificação por bioensaio de uma freqüência
inicial de 1 : 10-3 exige um aporte significativo de recursos e a pesquisa
de 1 : 10-6 ou 1 : 10-8 é impossível. As tecnologias de
PCR oferecem a possibilidade de detecção de mutações
de resistência em freqüências muito mais baixas e em
uma fase muito anterior que com o bioensaio. Por outro lado, a mutação
que confere resistência a estrobilurina em oídio do trigo
pode ser detectada em freqüências inferiores a 1 : 10-4,
e esses ensaios de PCR podem ser realizados em um único dia,
sendo que para desenvolver e conduzir bioensaios com isolados de oídio
o tempo necessário pode ser superior a um mês. Durante
uma epidemia, podem ser conduzidos diversos ensaios de PCR, podendo
ser detectadas freqüências globais de alelos resistentes
inferiores a 1 : 10-6. Os dados dos ensaios de PCR relacionam-se a freqüências
de alelos, e não a freqüências fenotípicas
de indivíduos isolados. A característica de sensibilidade
dos ensaios de PCR também pode revelar um nível de fundo
do alelo não mutante em populações resistentes.
Um
exercício de monitoramento útil é a determinação
da distribuição da linha base da sensibilidade antes da
introdução de um fungicida. Caso ocorra resistência
subseqüentemente, qualquer nova população pode ser
comparada à distribuição da linha base para confirmar
se as dificuldades de eficiência realmente resultam da resistência.
O tamanho da amostra necessário para essas comparações
depende de diversos fatores, incluindo a magnitude da resistência
esperada e do erro experimental associado ao método do ensaio.
Por exemplo, uma mudança de dez vezes na sensibilidade no patógeno
da sarna da maçã (Venturia inaequalis) ao fungicida flusilazole
pode ser confirmada com uma amostra de apenas 50 indivíduos (Smith
et al., 1991).
CONCLUSÕES
A
resistência ameaça enfraquecer nossa capacidade de controlar
diversas plantas daninhas, pragas e doenças importantes. Para
os fitopatologistas, o problema ocorreu pela primeira vez na década
de 1960 após o uso generalizado de benomyl, mas as pesquisas
em cooperação representando os interesses privados e públicos,
foram bem sucedidas para o controle do problema e evitaram graves prejuízos.
Além de novos químicos, isso foi alcançado com
a maior compreensão dos mecanismos da resistência e dos
fatores inerentes associados às doenças e fungicidas específicos
que podem contribuir com a resistência. Embora a estimativa e
o gerenciamento do risco sejam ciências imprecisas, o conhecimento
é suficiente para o desenvolvimento de esquemas práticos
que minimizem o risco de resistência. Soma-se a essa base de conhecimento
um processo contínuo que somente pode melhorar a capacidade de
gerenciar o problema da resistência. A descoberta da resistência
a um novo fungicida não implica em que está descartado.
Simplesmente esclarece como o fungicida pode ser usado de forma sustentável
no futuro.
AGRADECIMENTOS
O
IACR recebe contribuição do Biotechnology and Biological
Sciences Research Council do Reino Unido.
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TABELA 1
Situação
atual da resistência a estrobilurina (QOI) na prática. |
Patógeno |
Doença |
Distribuição |
Erysiphe
(=Blumeria) graminis
f.sp. tritici |
Oídio
(trigo) |
N.
da Europa |
Erysiphe
(=Blumeria) graminis
f.sp hordei |
Oídio
(cevada) |
Escócia |
Sphaerotheca
fuligenea |
Oídio
(abobrinha) |
Ásia
Or., Espanha |
| Psuedoperonospora
cubensis |
Míldio
(abobrinha) |
Japão |
| Plasmopara
viticola |
Míldio
(uva) |
França,
Itália |
| Mycosphaerella
fijiiensis |
Sigatoka
negra (banana) |
Costa
Rica |
| Venturia
inaequalis |
Sarna
(maçã) |
Alemanha |
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